Rock, Blues, MPB e Jazz. Pra quem acha que a música é uma das melhores coisas que existe!
Quem sou eu
- Lawrence David
- Professor, Músico, Audiófilo, Cientista Político, Jornalista, Escritor de 1968.
domingo, 29 de agosto de 2010
Frank Zappa, “nunca pirei tanto num cara”.
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
"Blog de Ouro".
Eu também faço isso por caras como estes aí embaixo que eu indico pra esse prêmio. Boa sorte galera!
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Como participar:
Ao aceitar receber o selo, os indicados devem cumprir quatro procedimentos básicos:
1° Colocar a Imagem do Selo No Seu Blog;
2° Indicar o Link do Blog Que o Indicou;
3° Indicar Outros Blogs Para Receberem o Selo;
4° Comentar nos Blogs de Seus Indicados Sobre o Selo
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Crossed Fingers, belo sonho efêmero
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
King Crimson, o rei na toca do coelho
sexta-feira, 30 de julho de 2010
YES, cristal, trovão e falastrismos

Quem primeiro me levou às cordilheiras de gelo onde a vida crepita, ao abismo onde muitas surpresas aguardam, às ruas onde as pessoas felizes e perfeitas simplesmente compartilhavam o mundo, a me sentir pequeno diante do cosmo imenso … tudo através da combinação harmoniosíssima dos graves, agudos intensamente vibrantes e mansamente sutis, calmos e impetuosos, que se transformam nisso, para, e se transforma naquilo e volta, opa, já não é mais a mesma coisa … foi o Yes. Voz de cristal, baixo de trovão colegas intensos e falastrões, exibicionismo explícito milimetricamente calculado por Anderson Squire.

É, poderia ter sido apenas mais um encontro casual no Soho em 1968, de dois rapazes com gostos e sentimentos comuns que gostavam de harmonia vocal. Talvez tenha sido um encontro casual mesmo. O caso foi criado entre a dupla: sempre juntos e comandando o rumo do barco, como uma outra pessoa que se forma quando juntos … tipo, casamento. Quem ouvir os primeiros solo de ambos, Fish Out of Water e Olias of Sunhillow, vai notar as semelhanças. Os temas se desenvolvem lentamente, como música erudita, sem pressa. As texturas vão se construindo com muito pé no chão pelo lado de Chris Squire (aquele baixo forte) e parecem flutuar com Jon Anderson, leve como uma pluma. Muitos instrumentos, camas de vocais, muitas, muitas idéias, sempre “positivas” (daí o nome? Pouco provável pois foi dado pelo primeiro guitarrista, Peter Banks).
Algum tempo depois já comandavam o ritmo e a evolução do progressivo que durou até 1975 e 76. Steve Howe sentava a mão na guitarra, a música mais sofisticada conquistava a cabeça dos jovens, fenômeno impulsionado pela expansão do fluxo de consciência do fim dos anos 60. O fim de uma era também. Disco e Punks vão se alastrar abafando o que foi feito no início dos 80. Quem conseguiu resistir, quem se amoldou ás novas tendências. Nos 90 o prog volta com tudo, pra ficar, como gênero definitivo e importante no Rock.



Para mim, tudo começou com Close To the Edge. A longa mudança permanente com a confirmação do início no fim. A Alteridade e o misticismo. Sorridente e forte o The Yes Album traz, com suas exibições de virtuosismo, belos arranjos vocais e muita mistura de Jazz, Blues, Erudito, e, claro, Rock'n Roll! No alerta à Fragilidade da vida, Fragile mostra a banda com um som estável e engordado por Rick Wakeman esmerilhando nos teclados. Esses temas são Imortais! South Side Of The Sky, Heart of The Sunrise, Long Distance Runaround e, claro, a obra-prima, Roundabout. Nunca foi tão perfeita a síntese entre prog e pop. Referência universal esta canção que passou a servir de modelo pra qualquer banda do gênero que quisesse fazer sucesso.

Milhões de imitadores, nem preciso dizer quem, são tantos. Não aparecem grupos mais tão originais assim no mundo de hoje, dentro do que chamamos Rock. Pra onde foi o Rock? Sim tem muita coisa boa ainda, mas será que pela quantidade é possível dizer pra onde vai? O Yes sabia pra onde ia e sabia que fazer música não era simplesmente brincar de fazer letras e compor melodias harmonizando com 3 ou 4 acordes. Não são muitas as canções, alguns não gostam, talvez. O que importa é que elas ficarão. Permanecerão com sua capacidade de transcender o presente nos lançando irremediavelmente em um passado onde já se vislumbrava o futuro: viver em paz com a natureza.
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Anos Blues, Chicago em Porto Alegre







domingo, 25 de julho de 2010
Jimi Hendrix, o descobridor da Strat Mágica.

A maneira de combinar as notas, de transformar o suave em pesado, de solar enquanto faz o ritmo, de botar aquele dedão grosso como pestana e deixar os outros fazerem coisas quase impossíveis, as harmonias quase jazzísticas, os riffs certeiros e que ficam martelando na moringa, os climas psicodélicos, a voz quase falada às vezes, a dinâmica da experiência, o virtuosismo até nos bem agudos, o uso descontrolado dos efeitos dos paredões de Marshall saturados e do Cry-baby (wah-wah), é, tudo isso foi ele que inventou, nosso amigo aí acima, O Jimi.
Realmente eu não sei como é que pode alguém duvidar que esse rapaz jamais será superado, e olha que depois dele, vieram outros muitíssimo bons. Não é uma questão de qualidade apenas, mas, principalmente, de novidade e dimensão da guitarra elétrica na música. A partir dali um mundo de possibilidades surgiu. A guitarra sai da posição de tão importante quanto pra uma de mais importante que tudo. Não daria pra aparecer outros que tocassem guitarra pesado e sozinhos, se alguém não tivesse mostrado ao mundo do que uma guitarra era capaz. Aqueles sons, murmúrios, queixumes, súplicas, falas saiam de um único instrumento. “Não, não pode sair tudo de uma só Strat, me belisca que eu tô sonhando, esse cara não é real”, foi o que pensei quando ouvi o álbum Axis, Bold As Love pela primeira vez.

O mais paradoxal é que não foi uma das coisas que me bateram mais, logo que comecei a gostar de Rock. Tive que amadurecer um pouco para começar a curtir de verdade esse maluco. Ouvir a fundo, pra mim, é coisa recente, de pesquisar álbum por álbum, canção por canção, comparar as várias fases, e os parceiros diferentes. Em estúdio é bastante impressionante, mas aí, o cara vira muitos. O que mais me abestalha são suas performances ao vivo. Os sons eloquentes que ele tira até incendiando seu instrumento.


Completamente enlouquecido com o próprio espetáculo, depois de espancar a fera, tocá-la com os dentes, nas costas, com os pés, ele joga combustível e põe fogo na Strat e assiste estasiado, sua descoberta se transformar em madeira, metal e plástico carbonizados, enquanto ainda emite uivos, gritos de desespero, e sons nunca antes visitados. Joga pra galera, quem resiste a isso? Um hino e uma mensagem, “Não ao Vietnam”, metalóides que se transformam em bombas, honra que vira tragédia e piléria.

Havia algo de muito esquisito, ele não se enquadrava, não se encaixava nesse mundo, perdido entre a imaginação transbordante e a excessividade lisérgica, flutuou, um dia para longe, sufocado pela própria angustia de mostrar aquilo que nem ele realizava bem o que era. Talvez tão forte intenso como o amor, tão outsider como um cigano, ele foi à terra das mulheres elétricas olhar os primeiros raios do novo dia que surgia.

















